Golpes com IA serão a maior ameaça da Black Friday 2025; Entenda a melhor maneira de evitar fraudes.

A Black Friday 2025 será marcada por uma nova onda de golpes impulsionados por Inteligência Artificial (IA). Criminosos usam Deepfakes de celebridades em anúncios patrocinados para enganar consumidores e induzi-los a pagamentos fraudulentos por Pix, num cenário onde 63% dos brasileiros admitem não saber identificar a ameaça.

Como os Golpes de IA Funcionam na Prática

O período de alta do consumo na Black Friday de 2025, iniciado em Novembro (Black November), com hiperfoco para o dia 28 de novembro, expõe consumidores a um ecossistema de fraudes digitais potencializadas por Inteligência Artificial (IA). Golpistas utilizam Deepfakes (criação de mídias falsa, como vídeos e áudios) e engenharia social (técnica de manipulação psicológica usada para enganar pessoas e obter informações confidenciais), para direcionar vítimas, que compõem 90% dos brasileiros com intenção de compra , a pagamentos fraudulentos via Pix e boletos.

A Ameaça dos Anúncios Patrocinados com Deepfake

O evento de 2025 combina alta intenção de compra com uma vulnerabilidade histórica. Dados indicam que 20% dos consumidores já foram vítimas de golpes em edições anteriores. A segurança digital (33%) tornou-se um fator de decisão quase tão relevante quanto a reputação da marca (34%). Os golpes mais sofisticados exploram a “falha cognitiva humana”. O senso de urgência, combinado à busca por ofertas com descontos irreais (superiores a 70%), leva o consumidor a negligenciar a diligência técnica básica, como a verificação da URL do site. 

A ameaça central de 2025 é o uso operacional de Deepfakes. Pesquisas revelam que 63% dos consumidores brasileiros admitem não saber como identificar esses golpes, com vítimas relatando sentirem-se “analfabetas digitais”. Criminosos utilizam IA para clonar a voz e a imagem de celebridades e figuras de alta credibilidade, como jornalistas, médicos e apresentadores, em casos reais já documentados. Esses vídeos promovem produtos falsos ou investimentos fraudulentos com alto grau de realismo. Os Deepfakes são distribuídos de forma massiva como “anúncios patrocinados” em redes sociais como Instagram, TikTok e YouTube. Ocorre uma “industrialização da credibilidade”: a IA permite “sintetizar” a confiança que uma figura pública levou décadas para construir. 

O Golpe do Pix no Checkout Falso

Após o clique no anúncio Deepfake , o consumidor é direcionado a um site clonado. Utilizando o design e a identidade visual de um varejista legítimo, o fraudador “sequestra” a confiança da marca original, explorando a “prova social” do layout familiar. No checkout , o golpista apresenta opções de pagamento fraudulentas. O Pix, por ser instantâneo, é o preferido. O site exibe um QR Code malicioso ou uma chave “Copia e Cola”. A vulnerabilidade é intensificada na madrugada, entre 1h e 5h, considerado o “horário nobre das fraudes”. Os fraudadores exploram o consumidor “cansado e sonolento” e a vigilância reduzida das equipes de antifraude dos lojistas.

Como Se Proteger de Fraudes na Black Friday

A proteção contra fraudes digitais modernas exige uma combinação de diligência técnica e comportamental. Abaixo, estão sinalizadas algumas das ações essenciais que os consumidores podem adotar.   

1. O que Fazer Antes da Compra (Verificação)

A melhor defesa começa antes mesmo de clicar no anúncio. A preparação envolve verificar a legitimidade da oferta e do vendedor.

  • Verificação de Reputação: Antes de comprar em um site desconhecido, consulte a reputação da loja em portais como Reclame Aqui e Procon. Em marketplaces (como Amazon ou Mercado Livre), verifique a reputação específica do vendedor ( seller ).   
  • Confirmação de Identidade: Pesquise e confirme se o CNPJ da loja está ativo e corresponde ao nome da empresa.   
  • Monitoramento de Preços: Utilize comparadores de preço para monitorar o histórico do produto. Isso evita a “Black Fraude”, tática em que o preço é inflacionado dias antes para simular um desconto irreal.   
  • Acesso Seguro: Evite clicar em links de promoções recebidos por e-mail, SMS ou WhatsApp, pois são vetores comuns de phishing. A prática mais segura é digitar o endereço oficial da loja diretamente no navegador.   
  • Priorize Marketplaces Confiáveis: Para compras de vendedores terceiros, prefira realizar a transação dentro de marketplaces reconhecidos. Nesses casos, o consumidor é protegido pela responsabilidade solidária, conforme o Código de Defesa do Consumidor.

2. O que Fazer Durante a Compra (Vigilância)

No momento da transação, a atenção deve ser redobrada, especialmente diante de ofertas que geram senso de urgência.   

  • Desconfiança de Ofertas Irrealistas: Descontos extremos (acima de 70% em produtos populares) são um forte indicativo de golpe.   
  • Análise de Anúncios (Deepfake): Ao ver anúncios patrocinados, especialmente com celebridades, procure por sinais de manipulação por IA: voz robótica ou artificial, dessincronia entre o áudio e os lábios, ou olhos que não piscam ou não têm reflexos naturais.   
  • Verificação da URL: No site, verifique a barra de endereço. Procure pelo ícone de “cadeado de segurança” e certifique-se de que não há erros de digitação no nome da loja (tática conhecida como typosquatting ).   
  • Escolha o Método de Pagamento Mais Seguro: A opção mais segura é o cartão de crédito virtual de uso único. Ele permite o estorno ( chargeback ) em caso de fraude e impede cobranças futuras, pois é invalidado após a transação.   
  • A Verificação Final (Pix e Boleto): Se optar por Pix ou boleto, sempre confira o nome do Beneficiário (Favorecido) e o CNPJ antes de confirmar o pagamento. Se o destinatário for um CPF ou uma empresa com nome genérico (ex: “Serviços de Pagamento LTDA”) em vez da loja oficial, não conclua a transação.   
  • Proteção de Dados Pessoais: Jamais forneça dados sensíveis (número completo do cartão, código CVC, senhas ou CPF) por WhatsApp, Telegram ou redes sociais para “validar uma compra” ou “ativar um cupom”.

Fui Vítima de Golpe: O Que Fazer Imediatamente

Caso a fraude ocorra, tomar medidas rápidas é essencial para maximizar as chances de recuperação dos valores.   

  • Golpe no Pix: Contate seu banco imediatamente e solicite a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED). Para maior agilidade, utilize o botão de autoatendimento dedicado à contestação de fraudes no Pix, que deve estar disponível no aplicativo do banco. A rapidez na notificação é crucial.  
  • Golpe no Cartão de Crédito: Entre em contato com a operadora do cartão imediatamente e solicite o estorno ( chargeback ) da transação, relatando a fraude.   
  • Boletim de Ocorrência (B.O.): Registre um B.O. online na delegacia virtual do seu estado. Este documento é a prova formal do crime e é exigido pelas instituições financeiras para dar andamento à análise do MED.   

Afinal, de quem é a culpa? A Responsabilidade Legal na Fraude

Quando um golpe ocorre, a primeira tese usada por bancos para negar o reembolso é a de “culpa exclusiva da vítima”. Contudo, essa tese é juridicamente frágil no Brasil. A legislação brasileira, especialmente o Código de Defesa do Consumidor (CDC), protege o consumidor:

  1. Responsabilidade Objetiva (Art. 14 do CDC): O CDC estabelece que o banco (fornecedor) é responsável por falhas na segurança de seus serviços, independentemente de culpa. A sofisticação do golpe com IA  apenas reforça que o sistema de segurança da instituição foi falho.
  2. Responsabilidade Solidária (Art. 7º do CDC): A lei define que todos na cadeia de consumo são responsáveis. Isso inclui: As Plataformas (Google, Meta, etc.): Que lucraram ao veicular o “anúncio patrocinado”  fraudulento.  O Banco da Vítima: Que falhou na segurança da transação. O Banco do Fraudador: Que falhou no compliance (KYC – “Conheça Seu Cliente”) ao permitir a abertura de uma conta laranja para receber o dinheiro.
  3. Obrigações do Banco Central (Bacen): O Mecanismo Especial de Devolução (MED)  não é um “favor”. É uma obrigação regulada (Resolução BCB nº 103/2021) que o banco deve iniciar imediatamente após a notificação da fraude.   

E se ainda eu não conseguir o reembolso? 

Seguir os passos de notificação (MED e B.O.)  é crucial. No entanto, se o banco ou a operadora de cartão negar o estorno alegando “culpa exclusiva”, é essencial saber que a responsabilidade pode ser dele e não sua.   

Não se culpe pelo ocorrido! O Código de Defesa do Consumidor (CDC) e as regulações (Bacen) estabelecem a responsabilidade solidária de bancos e plataformas pela falha de segurança que permitiu o golpe.

O escritório Cordeiro & Moreira Advogados é especializado em Fraudes Digitais. Atuamos de forma incisiva para: Reverter judicialmente negativas de estorno (MED e chargeback) e buscar a Responsabilização e a Reparação de Danos contra toda a cadeia de fornecedores envolvida (plataformas de anúncios, bancos de origem e bancos receptores).